Vivemos numa sociedade com intensa demanda por recursos mentais e cognitivos, os quais por vezes trazem sobrecarga e acarretam danos à saúde mental. Nesse sentido, ansiedade, estresse e burnout são algumas das doenças psíquicas potencializadas com a pandemia. Isso ampliou o desafio das empresas em lidar com essas questões com empatia e respeito.
Quebrando tabus
Assim, proporcionar um ambiente seguro, com escuta ativa e acolhimento é essencial para o bem-estar intelectual dos profissionais. “Essa é a grande questão do nosso tempo. Vivemos em um mundo onde somos super estimulados e temos de lidar com muita informação. Cobrança, demandas, entregas, entre outras atividades provoca uma panela de pressão dentro de nós”, afirma a autora do podcast Autoconsciente, Regina Giannetti.
Para começar, esses distúrbios precisam deixar de ser tratados como tabu e devem ser vistos com naturalidade, como qualquer outra doença. “O cérebro também tem transtornos como qualquer órgão”, explica a autora.
De acordo com pesquisa do Instituto Ipsos, cerca de 45% da população teve piora leve ou intensa nessas condições após o caos causado pelo vírus. O Brasil, por exemplo, é o quinto país com pior índice, chegando a 53% de indivíduos nesse estado. Todavia, a Covid-19 impulsionou esses problemas psicossomáticos, os quais já eram latentes no mundo moderno, mas poucas pessoas davam atenção.
De dentro para fora
Para a jornalista e sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins, do Distrito Federal, realmente havia-se um preconceito em relação ao assunto antes do “boom” da pandemia. “Não à toa, muitas companhias liberaram assistência psicológica integral aos colaboradores. Afinal, é importante ter um território seguro de conversas, pois são fundamentais para conseguirmos avançar nessa questão. Esse é o mal do século, é o legado do Coronavírus”, avalia.
Com a experiência de quem atua de perto no ambiente corporativo, a superintendente de gente e gestão da Norte Energia, Isabel Lêla, de Brasília, ressalta a importância de ouvir as dores dos cooperadores e dar o suporte não apenas para eles, mas também para os familiares. Afinal, as pessoas próximas são diretamente afetadas.
Sendo assim, o ato de escutar é essencial, pois quando a organização tem esse cuidado, aumentam-se as chances de sucesso. “Em primeiro lugar está o ouvir. Em segundo, comunicar e colocar à disposição programas para deixar a pessoa mais leve”, complementa a especialista.
Autoconhecimento é o primeiro passo
Então, identificar e reconhecer a carência de ajuda são os pontos-chave para o primeiro passo. “A gente só pensa em resolver os problemas, mas enquanto fica nesse turbilhão mental, o sujeito não se observa. É preciso se perceber para entender a conjuntura e buscar recursos. Ainda existe um grande tabu e um negacionismo pessoal”, diz Regina.
Por outro lado, Patrícia observa como a autoconsciência também é uma tarefa desafiadora. “É tão difícil notar e colocar esse olhar para dentro. Geralmente olhamos para fora e esquecemos do interior. A pandemia deixará vários legados positivos, apesar da dor imensa, dizem especialistas. Contudo, também existe esse obstáculo intelectual como uma herança desse período”, ressalta.
Por fim, além do autoconhecimento e da aceitação, Isabel destaca a importância de se pôr no lugar do outro. “É um grande aprendizado assumir suas fragilidades e também é fundamental se colocar na ‘pele’ do próximo. Dar um pouquinho do seu tempo, do seu ouvido, trazer ele para perto e acolher”, finaliza.
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